Mulher, Negócios e Alma

As últimas décadas foram marcadas pela entrada feminina no mundo profissional. Passamos a buscar qualificação acadêmica e espaço no mercado de trabalho. Quisemos ter nossa carreira, nossos negócios, nosso legado e lutamos por vagas em faculdades, empresas e instituições.
Invertemos de tal forma os papéis femininos na segunda parte do século passado que hoje é inconcebível para muitos grupos que uma mulher não trabalhe, não estude e queira ficar em casa. Somos treinadas para estudar e ter uma profissão. Muitas, inclusive, são instigadas para grandes carreiras de sucesso. Obrigatoriamente.
Para discutirmos empreendedorismo feminino e esse novo mundo empresarial, eu, Elisa Rodrigues, facilitadora e Guardiã de Círculo de Mulheres, juntamente com Zuleica Souza, fundadora da Valência Treinamento e Consultoria Empresarial e especializada em empreendedorismo, criamos o “Círculo de Mulheres Empreendedoras”, onde nos reunimos uma vez por mês para discutir os desafios de ser mulher empreendedora no mercado atual e a importância de manter nossos negócios conectados com nossa alma, tudo isso dentro do suporte e o acolhimento que o Círculo de Mulheres proporciona, gerando sororidade, cumplicidade e espaço para a cura de nossas crenças e dores.

Curando nossa ancestralidade feminina

Somos a intersecção de uma grande rede de pessoas, os nossos ancestrais. Carregamos em nossos corpos físicos, mentais e energéticos histórias, dores, dramas, conflitos, questões, dificuldades, abusos, medos e crenças que fizeram parte da trajetória pessoal e familiar deles.

Nossa sociedade atual trabalha em um movimento individualista, que afasta as famílias e desemboca no esquecimento dos idosos e das histórias familiares. Com isso, perdemos elementos importantes para análise de nossa vida e de nossa bagagem consciente e inconsciente. Perdemos a possibilidade de comparar eventos atuais com possíveis situações anteriores similares e traçarmos a repetição de fatores entre as gerações.

Analisar a história de nossas mães, tias, avós, bisavós, pode trazer à luz uma série de crenças e dificuldades que temos e para as quais não encontramos resposta ou embasamento. Pode colocar uma nova perspectiva à forma com que nos relacionamos com Masculino, em especial nossos parceiros e filhos, e às autoridades em geral. Pode explicar medos e dores que sentimos sem um motivo real. Pode mostrar que essa linhagem pede a cura e o encerramento de um comportamento nocivo ou um círculo vicioso de erros, para que eles não cheguem até as próximas gerações.

A Menstruação e o nosso Ciclo Divino

Trazer o assunto menstruação para o nosso Círculo foi um grande desafio. Afinal, não é um assunto que a maioria das mulheres escolheria. Mais fácil falar sobre a ditadura da beleza ou poder pessoal. E o assunto foi recebido com um pouco de estranhamento. Mulheres ficam menstruadas e pronto. Há mais o que se falar?

Siiiiim. Há muito que se falar. Há que se falar do nosso Universo interno, sobre as nossas “marés” íntimas, sobre como tudo isso é único e especial. Temos que ter consciência que somos “de Lua”, que passamos por várias fases no mesmo mês. E que isso nos faz mulheres e únicas.

Também há de se falar sobre como isso foi demonizado, rechaçado e expiado pela sociedade. Como isso foi tido como sujo, vergonhoso e pecaminoso, algo que deve ser escondido e não comentado. Ou por acaso você conhece muitas mulheres que falam abertamente que estão menstruadas?

Comecemos lembrando que em muitas sociedades antigas as mulheres foram consideradas divinas pelo fato de sangrarem todos os meses e não morrerem. Criavam-se estruturas para as mulheres se retirassem durante esse período e se abrissem para os aprendizados que ele provém. Além disso, esse sangue era devolvido à Terra de forma ritualizada e sagrada, como retribuição e fertilização do solo, fechando o ciclo de vida-morte-vida.

Infelizmente, em muitas outras sociedades, principalmente naquelas que deram origem à nossa atual cultura, o sangue foi visto como algo sujo e maldito, chegando-se ao ponto de isolar as mulheres menstruadas por serem impuras e poderem contaminar alimentos e crianças. Até hoje carregamos uma série de preconceitos sobre esse assunto, que vão de piadas de mau gosto a apelidos pejorativos.