Sombras

Trazer o assunto menstruação para o nosso Círculo foi um grande desafio. Afinal, não é um assunto que a maioria das mulheres escolheria. Mais fácil falar sobre a ditadura da beleza ou poder pessoal. E o assunto foi recebido com um pouco de estranhamento. Mulheres ficam menstruadas e pronto. Há mais o que se falar?

Siiiiim. Há muito que se falar. Há que se falar do nosso Universo interno, sobre as nossas “marés” íntimas, sobre como tudo isso é único e especial. Temos que ter consciência que somos “de Lua”, que passamos por várias fases no mesmo mês. E que isso nos faz mulheres e únicas.

Também há de se falar sobre como isso foi demonizado, rechaçado e expiado pela sociedade. Como isso foi tido como sujo, vergonhoso e pecaminoso, algo que deve ser escondido e não comentado. Ou por acaso você conhece muitas mulheres que falam abertamente que estão menstruadas?

Comecemos lembrando que em muitas sociedades antigas as mulheres foram consideradas divinas pelo fato de sangrarem todos os meses e não morrerem. Criavam-se estruturas para as mulheres se retirassem durante esse período e se abrissem para os aprendizados que ele provém. Além disso, esse sangue era devolvido à Terra de forma ritualizada e sagrada, como retribuição e fertilização do solo, fechando o ciclo de vida-morte-vida.

Infelizmente, em muitas outras sociedades, principalmente naquelas que deram origem à nossa atual cultura, o sangue foi visto como algo sujo e maldito, chegando-se ao ponto de isolar as mulheres menstruadas por serem impuras e poderem contaminar alimentos e crianças. Até hoje carregamos uma série de preconceitos sobre esse assunto, que vão de piadas de mau gosto a apelidos pejorativos.

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Eu puxo a fila daqueles que acreditam na importância de desbravar o mundo interior, descobrir nossas crenças limitantes, curar memórias de dor, buscar as causas do que sentimos e tememos. Fiz isso por anos, repetidamente. Acredito tanto nessa necessidade de autoconhecimento que embasei meu propósito de vida e minha missão pessoal nela.

Mas – e tudo tem um mas – às vezes isso não é suficiente. Ou pelo menos não responde as questões que estão atormentando o seu momento, impedindo o seu caminhar e sabotando o seu dia-a-dia.

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Quantas vezes a gente olhou para o outro lado quando se deparou com uma sombra nossa?
Como se ignorá-la garantisse seu desaparecimento…

Só que sabemos que não é assim. Aliás, não é assim com nada na vida – problemas, dificuldades, desigualdades, abusos, sonhos, necessidades, urgências.

As sombras, assim como tudo aquilo que mencionei acima, devem ser encaradas de frente, iluminadas, escutadas, compreendidas e, finalmente, levadas à categoria que realmente pertencem: aprendizado.

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