Siga o mestre… ou seja, você!

 

Comecei contanto esta história no post anterior. Dividi os assuntos porque estava virando um Frankenstein. Se você quer saber de onde surgiu toda essa pensação reflexão, dá uma lida lá: Estamos viciados em conflitos?.

 

Continuando a história, conto aqui a minha segunda reflexão.

Assistindo ao Master Chef Junior vi os jurados se comportando como mestres, coisa que não tem sido muito comum de se ver hoje em dia, principalmente em programas de televisão. Essa postura de quem quer ensinar, ajudar o outro a progredir, por uma pedrinha a mais na construção de uma pessoa.

No Dicionário Informal, encontrei uma definição que se afina mais com meu conceito sobre o que é maestria:

Maestria

A conceituação de maestria deriva do sânscrito “mah” que significa – maior. A maestria implica em não só fazer o que se sabe para produzir resultados, mas ir além, dominando os princípios subjacentes ao resultado.

Alguém que cria grandes trabalhos, frutos de labor constante e até dedicado, não caracteriza um portador de maestria.
maestria está intimamente ligada à visão pessoal perante a realidade, que cria a “tensão criativa”, que se torna força motriz para o alcance dos resultados desejados. E assim, a visão da concretização dos resultados gera mais energia e entusiasmo.
maestria é o caminho do mestre, é seu diferencial ante o ser humano comum.

Pra mim, a maestria é a somatória do conhecimento adquirido com o seu jeito de sentir e ver o mundo, que resulta em algo muito maior e profundo. Ela transforma o conhecimento em experiência e a experiência em inovação, em ação efetiva para o mundo.

Tenho visto muitas pessoas fugirem de seu papel de maestria. Também tenho visto outras pessoas criticando aquelas que estão assumindo esse papel.  

Pois é, quantas pessoas conhecemos que são apaixonadas e dedicadas a um assunto, mas se escondem na hora de transmitir isso. Muitas vezes não é porque se neguem a ensinar, mas porque não conseguem “se ver” no papel de mestres, no papel de alguém que já aprendeu, caiu, levantou, entendeu a extensão dos ensinamentos e a atitude correta perante o problema ou assunto.

Elas tem dificuldade em assumirem o quanto já sabem, em se parabenizarem por terem chegado no atual estágio. Acreditam que têm muito o que aprender (tá, mas quem não tem?), portanto não estão aptas ainda a ensinar. A estas pessoas eu deixo a questão: e se houver alguém no mundo que só estava precisando de uma palavra ou orientação sua, algo que você já sabe, pra dar a grande guinada em sua vida? Às vezes as pessoas não precisam do “pacote completo”, mas daquela liçãozinha que está faltando para completar o quebra-cabeça dela. E com a maestria, temos a sensibilidade de saber onde a pessoa está tropeçando, até porque há uma grande probabilidade de termos tropeçado lá também.

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Há outros casos em que as pessoas se escondem da vontade de orientar como mestres por medo da intimidade que isso significa. Um grande mestre está intimamente comprometido com o sucesso alheio, acompanhada atentamente os movimentos de seus discípulos para orientar no momento certo, que às vezes é antes do erro, mas também pode ser depois, para a fixação da lição. Essa grandeza, que acredito sinceramente estar presente em todos nós, geralmente fica escondida, pois “não é pra mim” ou “isso é para quem … (sabe muito, é mais velho, tem o curso x, etc.)”.

Acredito que há muitas raízes nessa omissão, mas vou abordar agora só uma. Estamos em uma sociedade de alto desempenho, foco e muito individualismo. Estamos muito preocupados com os nossos resultados, com as nossas metas, com onde vamos chegar. E, palpito eu, acho que nem todo mundo realmente é assim, mas está assim. As pessoas acabam ficando assim “porque as coisas são assim”. Não há uma cultura de apoio, coletividade, colaboração. Aliás, parece até feio você ficar ajudando tanto assim (a não ser que seja uma criança). Vai que a pessoa te passa a perna? Ou pense que eu me acho um sabichão? Ou não fique agradecida depois? :/

Até aqui foram as minhas opiniões, mas pense bem: 

  • Quantas vezes você deixou de ser mestre de alguém?
  • O quanto poderia ter ajudado o aprendizado de uma pessoa com uma orientação ou uma atitude?
  • Qual é o seu diálogo interno quando pensa em ensinar e orientar alguém?
  • Tem a ver com as minhas opiniões ou é um motivo completamente diferente?

 

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De posse dessas respostas, meu convite então é para acreditarmos mais em nós mesmos, nos nossos dons, conhecimentos e intuições, para confrontarmos nossos diálogos internos impeditivos. Começarmos a repassar o que dominamos, assumirmos um olhar de maestria no que podemos ensinar e orientar e, principalmente, nos permitirmos fazer parte desse grande processo de criação que é o mundo,  onde aprendemos e ensinamos, somos mestres e aprendizes, amadores e profissionais, tudo ao mesmo tempo.

Eu adoraria que você me contasse nos comentários o que passou pela sua cabeça!

 


 

Vendo a Maestria no Mundo:

 

  • Histórias de pessoas que assumiram suas maestrias:
  • Livros sobre o assunto:
    • Quer saber mais sobre o pr Maestria - Robert Greene ocesso de criação dos grandes mestres? Indico o livro “Maestria”, de Robert Greene. Neste livro, Greene examina pesquisas sobre cognição e criatividade, e derruba os mitos da sorte e da genialidade inata, propondo uma maneira radical de examinar a inteligência humana. Ele explica o que é necessário para uma pessoa comum se tornar um mestre – a capacidade de se dedicar totalmente a um tema de seu interesse, a insistência em um aprendizado contínuo e focado, a liberdade criativa adquirida com o domínio da habilidade e a coragem de ser diferente e enfrentar desafios.

 

Elisa Rodrigues Autor

Buscadora. Inquieta. Sonhadora. Rabugenta (às vezes). Cheia de ideias. Principalmente, alguém que exercita diariamente um olhar de encantamento para beleza do mundo.